Criogenia em Portugal
Tópico 3.3

A mentalidade racional

A maioria das pessoas encara a morte com resignação ou espiritualidade, mas existe uma terceira via: tratá-la como um problema de engenharia com soluções probabilísticas. Este tópico existe porque as normas culturais em torno da morte não estão otimizadas para a sobrevivência efetiva. Se se puder passar de "a morte é natural e inevitável" para "a morte é um desafio técnico com soluções incertas mas não nulas", a matemática altera-se completamente. Uma hipótese de 1% de ressuscitação domina uma hipótese de 0% de qualquer outra coisa, e aceitar a cessação permanente porque a criopreservação parece estranha é apenas um viés de status quo com apostas mais elevadas. Ao reenquadrar a morte através de uma perspetiva de engenharia e ao tomar o valor esperado a sério, é possível avaliar se a opção racional é tentar algo incerto ou aceitar o esquecimento certo.

Uma abordagem de engenharia a um problema biológicoA criónica é uma cadeia de problemas técnicos e institucionais separados. A engenharia pode melhorar cada elo, mas o progresso em ligações individuais não prova que a ressurreição humana se tornará possível.A criopreservação é a opção menos estranha no pós-morte?O enterro, a cremação e a criopreservação servem objetivos distintos. Se preservar uma eventual via de recuperação for relevante, a criopreservação é incerta mas pertinente de uma forma que a destruição irreversível não é.Por que uma hipótese de 1% é infinitamente melhor do que 0%Uma hipótese de 1% é infinitamente melhor do que 0%, uma vez que zero encerra todas as possibilidades futuras. A criónica não apresenta uma probabilidade mensurável de reanimação, pelo que se deve decidir se uma hipótese desconhecida justifica o seu custo atual.O problema do nada não tem resposta puramente lógicaA não-existência não é uma experiência, mas a morte pode ainda remover um futuro que alguém valoriza. Biostasis oferece uma tentativa incerta de preservar esse futuro, não uma prova ou garantia.